LITERATURA E SOCIEDADE: O PAPEL DA LITERATURA NA EMANCIPAÇÃO HUMANA

Coodenadores

  • Lívia Mendes Pereira
  • Leandro de Oliveira Galastri

Pensar a literatura em relação direta com as questões presentes na sociedade faz com que nos perguntemos se ela também poderia nos fazer conhecer ou até nos comunicar com a realidade, apesar de esta não ser a sua função precípua, nem mesmo a sua definição. Como arte da palavra, ao lado de todas as outras formas de arte, a literatura tem em si uma forma de resistência especial, em que a palavra, como diz Paulo Leminski, “atinge vigência plena, máxima, substantiva”. Nesse sentido, o poeta retoma o filósofo cultural Adorno, para quem “a grandeza da arte está em sua capacidade de resistir ao estatuto de mercadoria, em situar-se no mundo como um ‘objeto não identificado’”. Sendo assim, em uma sociedade ditada pelo capital a arte só existe se em sua essência estiver negando o mundo reificado da mercadoria, funcionando em um formato de “inutensílio”, como denominou Leminski. Interessa-nos, portanto, pensar a relação literatura e sociedade a partir daquilo que escreveu Antonio Candido em “Direito à Literatura”, ou seja, como uma “necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito”. Para o sociólogo e crítico literário, a literatura funciona como um “equilíbrio social” e sem ela não há “humanização” ou “humanidade”, pois enquanto arte “atua em grande parte no subconsciente e no inconsciente” das estruturas e dos indivíduos sociais. Desse modo, “uma sociedade justa pressupõe o respeito dos direitos humanos, e a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades e em todos os níveis é um direito inalienável”. A literatura, segundo o pensador italiano Antonio Gramsci, pode também ter o papel de construção de uma “vontade nacional popular crítica”, voltada para a emancipação humana da sociedade da mercadoria. Levando em consideração as ponderações acima, essa proposta de Grupo de Trabalho convida para o envio de trabalhos de pesquisa que tratem diretamente da relação entre literatura e sociedade, na perspectiva da tradição crítica adotada pelos autores acima citados - Adorno, Gramsci, Antonio Candido, Paulo Leminski – e também em outros, como Raymond Williams, Lukács, Benjamin, Mariátegui etc. Portanto, são esperados objetos de investigação que discutam temas relacionados à proposta apresentada referente à relação entre literatura e sociedade, vinculados às perspectivas teórico-metodológicas dos autores sugeridos.

Submissões encerraram-se em 25 de Julho de 2023 às 23:59